Estou limpa, completamente limpa… Há nove dias que estou sem tomar nenhum remédio. Nem indutor do sono, nem antidepressivo, nem o remédio punk da noite.
Não sei se isso é bom ou ruim, se é sensato ou precipitado. Mas a sensação de estar sem tomar nada é ótima. Me sinto livre. Sem químicas… Não sou nada contra elas, há alguns anos que venho fazendo uso delas e sei da sua importância e necessidade em alguns momentos da vida, mas acho que para mim já estava virando um fardo, o que tomar, os efeitos, as misturas, os reais benefícios.
Desde então, tenho me sentido bem. As emoções parecem mais verdadeiras, sou uma pessoa super emotiva, me emociono com facilidade e sempre com intensidade. Não tenho problemas com isso, nem sinto vergonha de dizer que sou assim. Mas tenho que confessar que estou com medo, tentando manter minha sanidade e fazer sozinha o trabalho do remédio. Nesses nove dias, tive que enfrentar duas bruxas, a da rejeição e também a do ciúmes (ou será o fantasma dos pensamentos obssessivos ciumentos?). Fui bem sucedida nos dois ataques sobrenaturais que sofri nesses primeiros dias sem remédios. Quando perguntei à minha médica se eu poderia ficar sem tomar o antidepressivo que eu havia desmamado de repente no Natal, porque esqueci completamente de tomar por quatro dias, ela disse que queria uma segunda opinião. Meu sentimento inicial foi de grande rejeição, ela não quer mais ser minha médica, não sabe mais o que fazer comigo e quer me passar para outro médico. Então pensei, estou sendo infantil, tenho que ser madura, vou ligar pra ela e ouvir o que ela tem a dizer. Seus argumentos me convenceram plenamente e conseguir afastar a bruxa da rejeição. Vou consultar uma outra médica, que vai então dialogar com ela e as duas vão definir e traçar um novo caminho para mim. Espero que eu realmente não precise mais tomar remédios e possa ter o efeito deles apenas com atividades físicas e com a terapia. O segundo ataque foi na última quarta-feira quando meu marido me ligou várias vezes para saber o que eu estava fazendo, se estava em casa ou na rua. Logo pensei que ele estava na rua fazendo alguma coisa errada. Quando o encontrei, achei que ele estava estranho comigo e então meus pensamentos foram ainda mais atacados pelos fantasmas do ciúmes. Mas novamente conversei com ele e consegui afastá-los todos.
Estou orgulhosa de mim, espero continuar conseguindo fazer o trabalho dos remédios.
E que sensação de liberdade de poder estar escrevendo tudo isso. Viva o anonimato!!!!!!!

